A FEBRE DE BELINHA

     Eram onze horas da noite quando Belinha acordou, levantou-se de sua cama e foi , em meio à escuridão - com incrível perícia driblando os obstáculos presentes no caminho - para o quarto de seus pais, localizado no outro lado do corredor. Mal alcançava na maçaneta da porta, por isso, a abertura da porta era sempre barulhenta. Esta cena se repetia com frequência em certas semanas; já em outras era uma raridade. Ultimamente as visitas noturnas da mocinha ao quarto de seus pais não eram frequentes. A mãe, depois de um dia extenuante às voltas com suas duas filhas e com os afazeres domésticos, já dormia um sono profundo restaurador. O pai não havia adormecido ainda, estava assistindo a um filme na tv. Belinha subiu na cama de seus pais e foi se posicionando no meio do casal, como era de praxe. Começou a choramingar pedindo leite, que lhe era oferecido em um copo de plástico branco com desenhos de personagens infantis nas suas paredes - a tampa do copo era amarela e com um bico para facilitar a tomada do leite, sem muita lambuzeira. Mas, convém esclarecer que o caneco de leite era oferecido antes do horário habitual da mocinha ser colocada para dormir. Em horários mais tardes da noite, apesar de alguma insistência por parte da Belinha, não era hábito lhe oferecer o leitinho. Não se compreendia bem porque ainda , apesar da negativa rotineira de seus pais de lhe oferecer o caneco de leite, Belinha continuava a pedir pelo leite. Mas, as insistências de Belinha duravam no máximo uns cinco minutos; após, a menininha costumava adormecer novamente. Claro que ela tentava estabelecer um diálogo com seus pais, mas como eles não lhe davam retorno, nada mais restava a ela do que dormir. Nesta noite Belinha surpreendeu as expectativas: continuou choramingando. O que estaria havendo de diferente, para justificar a mudança de comportamento da menina?

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