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               A BATALHA DE MARIAZINHA

 

      Mariazinha nasceu na noite de Natal, em uma pequena cidade do interior. Por infelicidade do destino veio ao mundo bem antes do que deveria. Sua mãe não estava fazendo pré-natal. Estava com 6 meses de gravidez e pela manhã começou a sentir as dores, mas não deu muita importância. De noite, Mariazinha resolveu sair da barriga de sua mãe e dar uma espiada no mundo de fora. Mal ela sabia que este mundo externo lhe seria muito ingrato. Mas, bem que Mariazinha poderia ter ficado mais tempo lá no seu mundinho até estar melhor preparada para as agruras do mundo externo. O destino não quis assim e nasceu a Mariazinha com 800g. Imagine só! 800g? Uma miniatura de gente. Sabe-se que bebês tão pequeninos têm chances de sobrevivência diminutas, mesmo nos melhores centros neonatais mundiais. O que diminui grandemente as chances de sobrevivência é a imaturidade dos pulmões. E Mariazinha, para complicar mais ainda, tinha enormes dificuldades para respirar. Cada movimento do seu peito para trazer ar dispendia uma quantidade enorme de energia, já que seus pulmões ofereciam uma grande resistência para se expandir. Os primeiros movimentos respiratórios foram bem fracos, levando à necessidade de ser ajudada no seu trabalho de encher os pulmões de ar. Algum tempo mais tarde, estando num lugar bem quentinho e com grande oferta do gás vital, parecia respirar melhor, com menor esforço. Mas, sabia-se que isto era passageiro, ou seja, Mariazinha estava esgotando as suas últimas energias: estava dando tudo de si, mas iria aguentar pouco tempo. Era questão de horas. Horas mais tarde, o esperado aconteceu: foi-se a Mariazinha para outro mundo, mal acabara de se deparar com o nosso mundo. Que experiência terrível para aquele diminuto bebê e para todos aqueles que se empenharam em fazer algo para que a sorte dele fosse melhor. Quantas vezes esta situação não se repete neste nosso país? Você sabe, POR QUÊ?------------------------------------------------------------- Durante horas, tentou-se encontrar um lugar melhor equipado para atender a Mariazinha, ou seja, uma UTI Neonatal. Mas, as tentativas foram infrutíferas. Todos alegaram que não havia vagas, isto é claro, em hospitais públicos e conveniados ao famigerado SUS ( que para quem ainda não sabe é o Sistema Único de Saúde ). Havia vagas em hospital particular, mas a secretária da saúde do município achou que era muito oneroso pagar o tratamento de Mariazinha , já que as suas chances de sobrevivência eram reduzidíssimas. Coitadinha da Mariazinha, além da infelicidade de ter vindo ao mundo tão precocemente, foi vítima de um sistema público de saúde cronicamente sem recursos, que remunera muitíssimo mal médicos e hospitais e que em vez de estimular a abertura de novas vagas de UTI Neonatal, pelo contrário, está levando à uma deterioração crescente da nossa saúde pública. Parabéns, ministro da saúde pela lamentável cena!

 

CAUSAS DE PREMATURIDADE

- Baixo nível sócio-econômico;

- Mães adolescentes;

- Não realização do pré-natal;

- Doenças que aparecem na gravidez (como: diabete, hipertensão);

- História de partos prematuros anteriores;

- Cesareanas com data marcada (erro no tempo de gravidez).