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DISCIPLINA


      Entre todos os assuntos que dizem respeito à criação dos filhos, este é talvez o que mais provoca incompreensão e desacordo. A palavra "disciplinar"  significa ensinar ou treinar, mas muita gente vê em "disciplina" um sinônimo de "castigo". Um dos motivos para esta confusão é a crença, herdada de tempos menos esclarecidos, de que as crianças, nascem com certos maus instintos que devem ser exorcizados. Hoje, sabemos que as crianças não nascem más nem boas. O que elas vêm a ser depende dos pontos fracos e fortes que herdaram, e do seu relacionamento mútuo com os adultos.
  

          O objetivo da disciplina é ajudar a criança a desenvolver seu autocontrole, aprender a respeitar os direitos dos outros, e aprender as normas que regem o mundo dos adultos. A melhor forma de atingir esse objetivo é dar-lhe bons exemplos e premiá-la quando faz alguma coisa certa. Toda criança pequena tem forte necessidade de ser amada e aprovada pelos pais, e fará muito esforço para agir corretamente - contanto que saiba o que é considerado "agir corretamente". Toda criança pequena deseja e necessita de recompensas muito simples - a atenção, a aprovação, o sorriso e algumas palavras bondosas dos pais. Não quer recompensas materiais como brinquedos ou doces. Quer que os pais gostem dela, para que ela possa sentir-se bem consigo mesma.  À medida que a criança cresce, a aprovação dos pais é ainda a recompensa mais importante que ela pode receber. Contudo, chega um ponto em que ela se torna suficientemente madura para perceber que o mundo dá valor às coisas materiais, e pode, então, passar a pedir recompensas mais concretas quando tiver a oportunidade de fazê-lo.

     Uma parte importante do processo disciplinar é conversar a respeito de disciplina. Os pais e os filhos têm muito que falar no que tange à disciplina, mesmo quando os filhos são tão pequenos que praticamente só os pais falam. Antes de tudo, estes devem explicar aos filhos o que se espera deles em termos de conduta, e quais serão os limites tolerados. 
DEFINIR LIMITES  -  ESTE É O PONTO CRUCIAL As crianças não sabem automaticamente o que é certo e o que é errado. A consciência não é inata: é algo que se desenvolve com o ser humano. Assim, você terá de dizer ao seu filho, em todo tipo de atividade e em todo tipo de situação, o que ele pode e não pode fazer. E não só dizê-lo uma vez, mas repeti-lo muitas e muitas vezes.
     As crianças não aprendem as regras da primeira vez que as ouvem, da mesma forma como não aprendem coisa alguma da primeira vez. Qualquer pai sabe quantas vezes teve de repetir a palavra "nariz" para o filho até que este finalmente aprendesse a apontar seu nariz e, mais tarde, a dizer a palavra "nariz". No entanto, esses mesmos pais dizem "não" a esses mesmos filhos a respeito de algo que eles não devem'fazer, e esperam que a criança aprenda a lição e não a esqueça mais; e zangam-se e até mesmo os punem numa segunda ou terceira vez. Ou seja, a palavra "nariz" pode ser repetida cem vezes, mas o "não" é para ser dito uma vez só. Não é o que se possa chamar de razoável.
      É preciso também que os pais digam aos filhos como se sentem a respeito do que eles fazem. Mesmo quando são pequenas demais para entender o significado de todas as palavras que lhes são ditas, as crianças compreendem muita coisa pelo tom de voz e pelas expressões faciais que as acompanham. Dizer a seu filho o que você acha de alguma coisa que ele fez é uma forma importante de comunicar-lhe sua aprovação ou desaprovação. Trata-se de uma coisa tão simples que provavelmente lhe parecerá óbvia; mas é espantoso o número de pais que acreditam que a única maneira de comunicar-se com os filhos pequenos é através de meios físicos, e não verbais - ou seja, bater ao invés de falar. É claro que, à medida que seu filho vai crescendo, é possível transmitir-lhe muito mais acerca do que você sente, e indicar outras nuances de aprovação ou desaprovação. À medida que ele passa a entender melhor o significado das palavras, você pode dizer-lhe mais especificamente que parte de sua conduta você aprova ou desaprova, ou que o que ele fez não foi errado, mas que a intenção não era boa, e assim por diante. Você poderá assim discutir muitos aspectos diferentes do comportamento, bastando apenas que esteja disposta a dedicar seu tempo a tais coisas.
     Finalmente, as crianças atingem a idade em que são capazes de assumir certa responsabilidade, pelo planejamento de sua conduta, e ajudar a estabelecer seus próprios limites. A essa altura, os pais vêem-se diante da difícil tarefa de começar a dividir com os filhos certas decisões, como o que pode ser considerado um comportamento aceitável, que limites serão tolerados, e que tipo de castigo sobrevirá se a criança não se ativer a esse comportamento e a esses limites. Os que começam cedo a discutir tais coisas com os filhos, como sugerimos antes não se surpreendem ao ver que até mesmo crianças de 5 ou 6 anos são bastante capazes de estabelecer seus próprios limites e se mostram bastante dispostas a encarar as conseqüências quando falharam.
     Você talvez acha que tudo isso acarreta um bocado de conversa, especialmente se você não é de falar muito. Mas a necessidade de falar a respeito das coisas com seu filho significa que você terá também que pensar, o que sempre é útil. Por exemplo: se se dispõe a dizer a seu filho, de antemão, o que lhe é permitido fazer e o que não lhe é permitido, terá que pensar, antes, o que vai dizer. Isto significa que você terá de refletir sobre esses atos e proibições num momento de calma e de razoabilidade, e não quando está zangado, enfurecido ou com dor de cabeça. Significa que pode refletir e estabelecer os limites do comportamento de seu filho num instante em que sabe que o ama, e não num momento de cólera, quando desejaria que ele jamais tivesse nascido. E significa também que suas decisões tenderão a ser mais sensatas e a parecer mais razoáveis para ele, no momento apropriado.

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