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     As normas e ameaças feitas pelos pais encolerizados geralmente são muito difíceis de serem levadas a cabo, tanto por eles como pelos filhos. Os pais tendem a dizer coisas impulsivas  como: "Só por causa disso, você vai ficar sem brincar durante um mês"; ou: "Se você fizer isto de novo, dou-lhe uma surra de quebrar todos os ossos"; ou ainda: "Para mim, chega! Nunca mais fale comigo!" Assim que tais coisas são ditas, tanto eles como os filhos sabem que estas coisas não têm sentido. As crianças geralmente ficam confusas, e os pais se arrependem de terem falado de tal forma. E, no fim, nada se faz para melhorar ou mudar-lhes o comportamento. Tudo isto pode ser evitado quando se pensa e se discute o assunto de antemão.
     Isto não quer dizer que os pais jamais possam ficar zangados. Até mesmo o melhor pai do mundo fica, às vezes, colérico e diz e faz coisas impensadas nessas ocasiões. As crianças, muitas vezes, são irritantes,e parecem provocá-los propositadamente. Em tais situações, até mesmo um santo poderia perder a paciência. Mas é melhor que a cólera do pai seja dirigida à ação ou ao comportamento do momento, e não à criança de modo geral. Assim, ela, especialmente quando pequena, compreenderá melhor o que encolerizou o pai ou a mãe, e provocou sua desaprovação.
     Além disso, é muito melhor que a cólera seja expressa em palavras, e não através de pancadas. Embora os pais sintam, às vezes, vontade de bater nos filhos, devem compreender que o castigo corporal não é uma boa maneira de fazê-las compreender o que é certo e errado. Raramente o castigo é proporcional ao crime. Pode dar vazão à cólera do pai ou da mãe, mas não ajuda a criança a compreender o que fez de errado. Quando batem nela em ocasiões em que perderam o controle sobre si mesmos e desconhecem a força que têm, ou quando batem em outras partes do corpo que não sejam as mãos ou as nádegas, correm o risco de infligir-lhe graves danos. Além disso, uma forma importante de ajudar a criança a aprender é dar-lhe bons exemplos. Perder o controle e agir impensadamente não é maneira de ensiná-la a controlar-se. Nessas ocasiões, há necessidade de urna pausa em que todos possam acalmar-se. Mandá-la para o quarto, até que ela esteja pronta para sair e discutir as coisas de modo razoável, pode ser uma boa forma de conseguir isso. Às vezes, o pai ou a mãe precisa também se retirar para um lugar tranqüilo onde possa pensar antes de agir. Devemos nos estender um pouco mais a respeito deste assunto, porque a violência contra crianças é um sério problema em nosso país. Muita gente ainda acha que bater é a única maneira de lidar com os problemas dos filhos. Mas muitas outras pessoas estão igualmente certas de que os castigos corporais são a causa de uma porção de problemas, tanto para os filhos como para os pais. A violência contra crianças; o ato de infligir-lhes danos graves e às vezes permanentes, praticado pelos pais ou pelos responsáveis, vem sendo reconhecida como um sério problema social. A dificuldade é que grande parte desses danos é causada por pais enfurecidos, convencidos de que tudo o que fazem ajuda a disciplinar os filhos e a torná-los melhores. Espancá-los deliberadamente, surrá-los com cintos e correias, bater até causar hemorragias ou hematomas, queimá-los com cigarros ou panelas quentes, amarrá-los, fechá-los num quarto ou armário escuro, ou deixá-los sem comer não são maneiras de torná-los melhores.
     Os pais que usam de violência para com os filhos geralmente sofreram violência quando pequenos. Muitos adultos que cometem crimes violentos foram maltratados na infância. Portanto, se quisermos diminuir a violência nas gerações vindouras, é imperativo que ponhamos fim à violência contra as crianças de hoje. De fato, se fôssemos estabelecer uma regra sobre o assunto, diríamos que é preferível e mais seguro jamais bater numa delas, ao invés de nos arriscarmos a bater demais.
     Há outra boa razão pela qual os pais devem manter-se calmos no tocante à disciplina: se raramente se mostram coléricos ou agitados, maior será a impressão que causarão a seus filhos quando o fizerem. O principal motivo da disciplina no segundo e terceiro anos de idade da criança é protegê-la contra acidentes ou danos. E é precisamente nos momentos de perigos que você mais deseja ser ouvido e obedecido prontamente. Se se mostra quase sempre razoável e calmo, seu grito de alarme no momento de perigo provavelmente será mais bem ouvido e obedecido. Vale a pena fazer aqui uma advertência. Os limites e regras estabelecidos num momento de calma, quando os pais estão se sentindo bem, podem parecer demasiadamente liberais num dia em que estejam ocupados, exaustos ou doentes. Lembre-se: você não pode esperar que seu filho saiba por si só que você está atravessando um destes dias. Portanto, se vai mudar as regras em determinado dia, convém deixar isto bem claro desde o início. Pode dizer que, normalmente, seu filho pode fazer isto e aquilo mas, hoje, por qualquer que seja o motivo, ele só deve fazer isto. A não ser que sejam muito pequenas, as crianças compreendem e aceitam essas mudanças de vez em quando, contanto que não ocorram com multa freqüência. Terão até prazer em se comportar de modo exemplar para ajudar os pais em determinada ocasião.Às vezes, porém, estes mudam as regras toda vez que há outros adultos por perto, e somente por esse motivo. São pais que se sentem inseguros quanto à maneira de criar os filhos, e receiam passar vexames ou ser criticados pelo comportamento destes últimos. As crianças não entenderão esse tipo de mudança, e eles mesmos terão dificuldade em explicá-la até para si próprios. Para os que se sentem assim, o melhor é evitar tais situações, e não enfrentá-las, para não serem excessivamente severos com os filhos.
     Muitas vezes, os filhos se portam mal por ser esta a única maneira de atraírem para si a atenção do pai ou da mãe. Os que nunca recebem atenção deles quando as coisas correm bem, procuram uma forma qualquer de obtê-la, e logo aprendem que uma delas é fazer algo errado, mesmo que a atenção, nesse caso, seja a punição. A criança prefere ser punida a ser ignorada. E estará sempre criando problemas, uma vez que esta é a única maneira de promover alguma interação com os pais. Outras crianças, cujos genitores normalmente lhes dão atenção, podem portar-se mal em ocasiões ou em dias em que estes estão preocupados com outras coisas e lhes dão menos atenção que de costume. A mensagem que elas lhes transmitem é muito clara. Quanto mais tempo e atenção você pode dedicar a seu filho quando as coisas correm bem, menos tempo terá de passar reagindo contra os problemas que ele cria. Ser ignorada pelos entes mais queridos é o pior castigo que uma criança pode imaginar. E já que falamos tanto das suas necessidades, não podemos deixar de mencionar o fato de que os pais, também, têm suas necessidades e direitos. É importante, tanto para eles como para os filhos, que esses direitos sejam respeitados. A maneira mais fácil pela qual a criança pode aprender a respeitar os direitos alheios é aprender a respeitar os direitos dos pais. O direito paterno ou materno à tranqüilidade, à privacidade, a determinadas regras e limites, e o direito de poder trabalhar em paz devem ser definidos tão claramente quanto os outros limites do comportamento infantil. À medida que elas crescem, podem aprender a arrumar suas coisas e a seguir certas normas de limpeza, de horários de comer e dormir, etc., que envolvem o resto da família. Também podem aprender - e facilmente aprendem - que toda pessoa tem suas peculiaridades, e que todos devemos aprender a nos dar bem uns com os outros. Da mesma forma, aprenderão também a exprimir, sem receios, suas preferências e ojerizas.

  As crianças aprendem mais quando são premiadas por boa conduta do que quando são castigadas por se portarem mal. Entretanto, muitas vezes seu comportamento exige correção, e um mero franzir de sobrancelhas ou um tom mais alto de voz não são o bastante. Então há necessidade de um tipo de punição mais severa. O que fazer? 
  USANDO O CASTIGO PARA PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO